Pingo e a Nuvem de Pensamentos
Tudo pode esperar pelo amanhã; agora é o momento de apenas descansar.
Era uma vez um esquilo chamado Pingo. Ele era bem pequeno e tinha o rabo muito peludo.
Suas orelhas pareciam dois triângulos macios. Pingo morava em um pé de carvalho antigo.
O sol já tinha ido descansar atrás das montanhas, e o céu estava com cor de uva, bem escurinho.
As flores já tinham fechado suas pétalas e os passarinhos estavam quietos em seus ninhos. Mas Pingo ainda estava com os olhinhos bem abertos.
Ele estava deitado em sua caminha de musgo fofo, mas suas patinhas não paravam quietas.
Ele pensava na noz que queria encontrar amanhã. Pensava na corrida que queria ganhar do seu amigo coelho. Pensava se o vento ia soprar forte ou se ia chover.
Sua cabecinha parecia um rádio que não queria desligar, cheia de pensamentos.
— Mamãe — chamou Pingo, bem baixinho. — Meus pensamentos não me deixam dormir.
A Mamãe Esquilo deu um beijo suave na cabeça dele. O cheiro da mamãe era de floresta limpa e canela.
— Sabe, Pingo — disse ela com voz de vento. — O amanhã é pesado demais para levar para a cama. Imagine que existe uma nuvem mágica e macia lá fora. É a Nuvem de Pensamentos. ️
Pingo fechou os olhos e tentou imaginar.
— Coloque a noz que você quer buscar dentro da nuvem — disse a mamãe.
Pingo imaginou a noz flutuando até lá.
— Agora, coloque a corrida com o coelho. Deixe lá guardadinho. Coloque o vento e a chuva também.
— A nuvem segura tudo para você até o sol nascer.
Pingo sentiu que sua cabeça foi ficando mais leve.
— Agora — a mamãe sussurrou — escute o silêncio da árvore. Sinta como o seu travesseiro de musgo é fofinho. Sinta como a sua folha-cobertor está quentinha.
Pingo respirou fundo uma vez... duas vezes...
O ar era fresco e calmo. Ele sentiu as patinhas relaxando e o seu rabinho sossegando.
Pingo percebeu que não precisava resolver nada agora. O mundo estava descansando e ele também podia descansar.
A nuvem mágica estava lá fora, cuidando de tudo. O seu coração batia devagarinho, no ritmo da floresta. E assim, o pequeno esquilo adormeceu.