Bigode e o Bilhete para a Mamãe

Ensina, com humor e carinho, que mamãe também tem um nome só dela.

Ilustração principal de Bigode e o Bilhete para a Mamãe

Era uma vez um gato padeiro chamado Bigode.

Bigode morava em uma rua pequena, onde sempre havia cheiro de pão quentinho logo cedo.

Naquela manhã, ele arrumava os pãezinhos na vitrine quando ouviu um ploc na porta.

No chão, havia um bilhete dobrado.

Bigode abriu com cuidado e leu em voz alta:

— Entregar para a mamãe.

Ele piscou uma vez.

Depois piscou outra.

— Uai... para qual mamãe?

Bigode olhou para um lado e para o outro. A rua já estava acordando.

Passou Dona Cacá, a galinha.

— A senhora é a mamãe? — perguntou Bigode.

Dona Cacá riu.

— Sou, sim. Mas também sou Cacá.

Bigode ficou pensativo.

Logo depois, passou Berta, a coelha.

— A senhora é a mamãe? — perguntou de novo.

Berta sorriu.

— Também sou. Mas meu nome é Berta.

Bigode coçou a orelha.

Mais adiante vinha Teca, a tartaruga, bem devagar.

— A senhora é a mamãe? — perguntou ele mais uma vez.

Teca riu tão devagar quanto andava.

— Sou mamãe do Tito. Mas meu nome continua sendo Teca.

— Ora essa... tem mamãe demais nessa rua.

Foi então que Lia apareceu.

— Oi, Bigode. Por que você está com essa cara de pão que não cresceu?

Bigode mostrou o bilhete.

Lia leu e riu.

— Eu não entendi nada — disse Bigode. — Já encontrei galinha mamãe, coelha mamãe e tartaruga mamãe. Como eu vou saber para quem é esse bilhete?

— É porque mamãe é um nome de carinho. Mas cada mamãe também tem um nome dela.

Bigode arregalou os olhos.

— Então mamãe não se chama Mamãe?

Lia deu uma risadinha.

— Para os filhos, chama. Mas para o resto do mundo, ela também é Ana, Clara, Joana, Berta, Teca... cada mamãe tem o próprio nome.

Bigode olhou para o bilhete de novo.

— Ahhhh. Então faltou uma pista.

— Faltou. Se a gente sabe o nome da mamãe, fica mais facil chamar, encontrar e pedir ajuda.

Bigode pensou um pouco.

Depois pegou outro papel e escreveu com todo cuidado:

Qual e o nome da sua mamãe?

Pouco tempo depois, um menino pequeno apareceu correndo na calçada.

— O bilhete era meu! — disse ele.

Bigode sorriu.

— Eu imaginei. Mas me conta uma coisa: qual e o nome da sua mamãe?

O menino abriu a boca... e ficou quieto.

Lia chegou perto e perguntou bem gentil:

— Você chama ela de mamãe, não chama?

O menino balançou a cabeça.

— Chamo.

— E quando outras pessoas falam com ela, chamam como?

O menino franziu a testa. Depois, seus olhos brilharam.

— Ah! Chamam de Marina!

Bigode bateu as patinhas.

— Pronto! Agora ficou muito mais facil.

Nessa hora, uma mulher do outro lado da rua acenou.

— Filho! Você está aqui!

O menino correu até ela.

— Mamãe! Seu nome é Marina!

Marina riu e lhe deu um abraço.

— É sim. E eu adoro quando você lembra.

Bigode entregou o bilhete certo, todo orgulhoso.

Antes de ir embora, o menino voltou e perguntou:

— Bigode, você também tem nome, né?

Bigode colocou a pata no peito.

— Tenho, sim. E é um nome muito bonito.

Lia deu risada.

— Bigode não esquece o próprio nome nem por um segundo.

Bigode empinou o nariz.

— Claro que não. Vai que deixam um bilhete para mim escrito só assim: Entregar para o gato.

Todo mundo riu.

E, naquele dia, ficou mais fácil entender uma coisa importante: mamãe é um nome de amor.

Mas mamãe também tem um nome só dela.

E saber esse nome é mais uma forma bonita de cuidar.