A Tartaruga e a Grande Cachoeira

Reforça a importância da paciência e de aproveitar o percurso, não apenas o destino.

Ilustração principal de A Tartaruga e a Grande Cachoeira

Era uma vez uma tartaruga chamada Mila. Ela tinha um casco verdinho, com manchas escuras que pareciam chocolate.

Mila morava no pé de uma montanha e tinha um grande desejo: ela queria ver o arco-íris na Grande Cachoeira.

Mas a cachoeira ficava longe, e Mila caminhava bem devagar.

Um coelho passou correndo por ela, levantando poeira.

— Rápido, Mila! Se você não correr, o arco-íris vai embora!

Mila não correu. Ela deu um passo... e depois outro. Suas patinhas faziam um som na terra seca: cloc... cloc... cloc...

Mila parou para ver uma joaninha que descansava em uma folha. Depois, parou para ouvir o vento soprando nas flores.

Ela percebeu que, por caminhar devagar, ela via coisas que o coelho, de tanto correr, nem notava.

Mila lembrou do que sua mamãe sempre dizia: — Mila, a vida é esperar. Mas a gente deve esperar com os olhos abertos para as belezas do caminho.

Mila sorriu. Ela entendeu que o caminho era tão bom quanto a chegada. Esperar não era ruim, era apenas o tempo das coisas acontecerem.

Lá na frente, ela encontrou o coelho sentado no chão, muito cansado e ofegante. Ele tinha corrido tanto que não conseguia mais andar.

Mila continuou, no seu ritmo calmo. Cloc... cloc... cloc...

Quando o sol começou a baixar, Mila chegou à cachoeira e o arco-íris estava lá, brilhando em várias cores.

Ela sentiu o respingo da água fresca no seu rosto. Mas o que ela mais gostou foi de lembrar de cada flor e de cada borboleta que viu no caminho.

Agora, o céu estava ficando azul-escuro. Mila sentiu que era hora de descansar, então, recolheu as patinhas para dentro do seu casco.

Seu casco era pesado, firme e muito seguro. Parecia um cobertor bem quentinho abraçando seu corpo.

Ela fechou os olhos e ouviu o barulho da cachoeira ao longe: shhh... shhh...

Mila percebeu que não precisava ter pressa para nada. O amanhã chegaria na hora certa.

Com o corpo relaxado sob o seu casco, a tartaruga Mila adormeceu profundamente, feliz por saber que esperar é, também, um jeito de crescer.